No banco de praça onde estou sentado um coração flexado se mostra a minha frente, na frondosa árvore que me traz sombra até a altura dos ombros. Acabo de passar no vestibular e penso na primeira vez que estive em uma mulher. Foi há pouco mais de seis meses, no banheiro do colégio, à noite, depois de uma aula de História.
É minha namorada, e acredito que a ame, embora os hormônios estejam me dissuadindo. Aquela noite tinhamos medo de sermos pegos pelo bedel. Ele está a quatro metros de mim, o pátio vazio, ela escondida no banheiro feminino e eu tenho de passar por um estreito corredor para alcançá-la no esconderijo que combinamos. Temos dinheiro para motel, mas não temos tempo de esperar.
- A bomba me fez mal! Digo sem perceber que não estou teatralizando. Corro em direção ao banheiro e ele não percebe que entrei na cabine feminina. Aterrorizada e sem expressão de desejo eu a apanho. Está de calças jeans, assim como eu. O beijo assustado e comedido, não podemos fazer barulho.
Abro meu zíper, e abro o dela, apóio a perna esquerda sobre o vaso sanitário e me inclino para que haja maior contato entre as pernas, enquanto sinto a calça ceder até o chão. Está só de calcinha e blusa. Num movimento rápido eu ponho o preservativo. Ouço o bedel entrar no banheiro. Ele não me viu passar de volta, certamente já vasculhou o banheiro masculino e desconfia que eu entrei no lugar errado. Sinto as unhas dela cravarem na minha cintura. Vamos ser pegos se ele perceber nossa respiração ofegante.
Ele sai do banheiro, foi embora, certamente. - Não, não, temos que sair daqui. Ela me diz. Não cedo. Antes que ela espere qualquer réplica eu replico com a primeira estocada da minha vida. Muda de cor e eu sinto pela primeira vez uma mulher. Eu, macho. Ela, fêmea.
Estou em transe, sinto meu corpo se deslocar todo à cintura. Começamos a forçar-nos um contra o outro, movimentando os quadrís. Senti que aquela dor que minha namorada reclamava foi embora quando eu comecei a falar suaves palavrões ao ouvido. Ela estremece. Eu estremeço.
Não conseguimos chegar ao clímax. Olho para o chão e vejo sangue. Muito sangue. Estamos ensanguentados e por sorte a calça dela estava estendida sobre a caixa de água do vaso sanitário. Enquanto ela tenta se limpar eu percebo que minha calça jeans está ensopada e não fosse clara demais passaria despercebido.
Ela se vestiu e saiu do banheiro. Eu disfarcei o quanto pude. Mas à saída o bedel me percebeu. Duas horas depois, já tenho chegado em casa nós nos falamos ao telefone. Depois namoraríamos por mais dois anos, e terminaríamos com a minha quase marca registrada: por telefone.
Não fosse eu, à época, o melhor aluno da escola, estaria em maus bocados. O bedel nunca tocou no assunto, nunca levou a questão a diretoria.
...................
Antes de Maria eu tinha segredos.
É minha namorada, e acredito que a ame, embora os hormônios estejam me dissuadindo. Aquela noite tinhamos medo de sermos pegos pelo bedel. Ele está a quatro metros de mim, o pátio vazio, ela escondida no banheiro feminino e eu tenho de passar por um estreito corredor para alcançá-la no esconderijo que combinamos. Temos dinheiro para motel, mas não temos tempo de esperar.
- A bomba me fez mal! Digo sem perceber que não estou teatralizando. Corro em direção ao banheiro e ele não percebe que entrei na cabine feminina. Aterrorizada e sem expressão de desejo eu a apanho. Está de calças jeans, assim como eu. O beijo assustado e comedido, não podemos fazer barulho.
Abro meu zíper, e abro o dela, apóio a perna esquerda sobre o vaso sanitário e me inclino para que haja maior contato entre as pernas, enquanto sinto a calça ceder até o chão. Está só de calcinha e blusa. Num movimento rápido eu ponho o preservativo. Ouço o bedel entrar no banheiro. Ele não me viu passar de volta, certamente já vasculhou o banheiro masculino e desconfia que eu entrei no lugar errado. Sinto as unhas dela cravarem na minha cintura. Vamos ser pegos se ele perceber nossa respiração ofegante.
Ele sai do banheiro, foi embora, certamente. - Não, não, temos que sair daqui. Ela me diz. Não cedo. Antes que ela espere qualquer réplica eu replico com a primeira estocada da minha vida. Muda de cor e eu sinto pela primeira vez uma mulher. Eu, macho. Ela, fêmea.
Estou em transe, sinto meu corpo se deslocar todo à cintura. Começamos a forçar-nos um contra o outro, movimentando os quadrís. Senti que aquela dor que minha namorada reclamava foi embora quando eu comecei a falar suaves palavrões ao ouvido. Ela estremece. Eu estremeço.
Não conseguimos chegar ao clímax. Olho para o chão e vejo sangue. Muito sangue. Estamos ensanguentados e por sorte a calça dela estava estendida sobre a caixa de água do vaso sanitário. Enquanto ela tenta se limpar eu percebo que minha calça jeans está ensopada e não fosse clara demais passaria despercebido.
Ela se vestiu e saiu do banheiro. Eu disfarcei o quanto pude. Mas à saída o bedel me percebeu. Duas horas depois, já tenho chegado em casa nós nos falamos ao telefone. Depois namoraríamos por mais dois anos, e terminaríamos com a minha quase marca registrada: por telefone.
Não fosse eu, à época, o melhor aluno da escola, estaria em maus bocados. O bedel nunca tocou no assunto, nunca levou a questão a diretoria.
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Antes de Maria eu tinha segredos.
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